domingo, 23 de setembro de 2012


Mas o que vem a ser o Chikow”?

O doutrina Kung Fu leva em consideração a existência de três formas de energia. A energia “li”, que é definida como sendo a nossa força física, a força muscular propriamente dita, e que gera a capacidade de realizar qualquer traba­lho. A energia “wei” é aquela que nós, aqui no Ocidente, entendemos como aura. É basicamente o resultado dos processos bioquímicos e biofísicos do organismo.

E a energia “chi”. Esta última é a chamada “energia adormecida” e acredita-se que ela esteja concentrada no plexo solar, quatro dedos abaixo do umbigo. O seu símbolo é o de uma serpente enrolada, que também é muito difundido na Yoga e no Tantra Yoga.

A serpente é uma figura muito respeitada na China, e representa Poder. Ali­ás, o Hu Lai Shien, ou estilo do “Punho da Serpente Sagrada”, é um dos mais temidos na China. A “serpente adormecida”, ou chi”, é a forma mais poderosa de energia do ser humano.

Compreendido isto teoricamente é necessário aprender a liberá-la. Caso con­trário ela ficará sempre fora de uso. Realmente como uma serpente enrolada, adormecida, inerte. Para isso são as técnicas de Chikow”. “Chi” quer dizer ener­gia; “kow” é movimento. Literalmente falando, “Chikow” é “energia em movi­mento”. Essas técnicas possibilitam fazer circular e, por fim, canalizar a energia “chi”.

Para que o “chi” circule é necessário que os chakras estejam desimpedidos. O que eu aprendi no Kung Fu acerca deles, mesmo antes de conhecer Marlon, foi muito semelhante ao que mais tarde aprenderia na Escola. Mas até então eu não tinha visto com muito interesse os resultados imediatos da técnica, como quebrar tábuas e tijolos.

“Para quê isso?!”, eu me indagava, mais interessado nas armas e na arte em si do que naquela demonstração de força bruta.

Mas agora entendia melhor os conceitos relacionados aos chakras, ou me­lhor, aos Portais. E passei a ter uma expectativa totalmente diferente. A Irmanda­de me abrira a visão. E o que antes era pura demonstração de brutalidade ganhou um novo colorido.

Resolvi me dedicar bem mais seriamente ao “Chikow”.

Em primeiro lugar, antes de pensar em fazer circular o “chi” com intuito de canalizá-lo os chakras têm que estar liberados. Para que isso aconteça é preciso seguir corretamente algumas normas disciplinares. A primeira delas é a dieta. Os orientais acreditam que uma dieta composta basicamente de vegetais, ervas, fo­lhas e raízes é indispensável. A carne — especialmente a vermelha — obstrui os chakras e impede a plena circulação de energia. Nos Templos orientais antigos, como o Templo Shaolin, e também nos templos zen-budistas, a alimentação con­tinha muito arroz e vegetais, mas quase nunca carne.

Dessa forma a dieta era condição indispensável caso quiséssemos realmente nos aprimorar na técnica de “Chikow”. A explicação até que tem muita lógica. Se nos alimentamos com carne o processo digestivo é moroso e pode levar até quase doze horas. Pelo menos é o que diz a Medicina Tradicional Chinesa. Se não ingerirmos carne o tempo de digestão diminui tremendamente. Cai, por exemplo, para duas ou três horas. O gasto energético é, portanto, muito menor. Se o indiví­duo se alimenta de forma errada três vezes por dia ele passa vinte e quatro horas sobrecarregando o organismo e desperdiçando energia. Ao longo do tempo o gasto desnecessário de energia e o acúmulo de energia negativa causa um desgas­te do organismo como um todo levando à fadiga, envelhecimento precoce e doen­ças.

O segundo item para aprimorar o “Chikow” tem a ver com a parte sexual. Experiências sexuais individuais não são permitidas(Mastubação). Estas levam à perda inútil de grande quantidade de energia. A relação só é permitida se for “homem-mulher” porque então está havendo troca de energia, e não desperdício. O que se perde é recebido através do parceiro. Portanto não há gasto inútil.

Igualmente, se o homem quiser acumular energia pode simplesmente evitar a consumação do ato. É um conceito fácil de entender: toda a energia produzida para ser utilizada no clímax da relação sexual ficaria “retida”, “acumulada”, “guar­dada”. Funciona mais ou menos como se fosse rodado um dínamo ou carregada uma bateria com alta força. Quando liberada, esta energia sai como uma explo­são. Esta forma de “carregar” o organismo com energia através do estímulo sexual não consumado é muito utilizada no Tantra Yoga, principalmente.

Estas eram as principais recomendações: o acúmulo de energia, a redução dos gastos, e a dieta capaz de favorecer o trânsito energético através dos chakras.

Entenda-se que nada disso realmente “abre” os chakras, apenas propicia as condições mais favoráveis possíveis. O que realmente “abre” o chakra é a técni­ca específica orientada e realizada por meio do “Chikow”. Basicamente envolve três aspectos: a respiração, a concentração e a meditação.

A respiração é somente abdominal. Aprende-se a controlá-la desta forma com exercícios. Deitados de costas no solo, com uma vareta de bambu apoiada na região abdominal, procura-se mover apenas a vareta, e não os pulmões.

Para sentir o fluxo de energia leva bastante tempo. Não é nada que se consi­ga na primeira ou na segunda vez, ou em poucas aulas. A técnica básica se faz através dos exercícios de meditação e concentração. São vários os estágios a serem percorridos. Aos poucos aprendemos a imaginar e sentir o fluxo de energia por todo o corpo. As posturas usadas são diversas, mas basicamente a posição do cavalo fechado (kinhomah — em chinês) e a postura da árvore, muito utilizada também no Tai-chi-chuan.

Imagina-se uma fonte de água pura, cristalina, jorrando a partir do plexo solar e que irá percorrer todos os pontos chakras do corpo. Esta água, sempre jorrando, sobe pelo centro do corpo atravessando o coração, chega ao pescoço e começa a entrar pelo braço direito, flui e sai pela palma da mão, que está voltada para cima. É “jogada” e entra pela palma da mão esquerda. Continua o seu cami­nho: sobe pelo braço, pelo pescoço, volta para o outro braço, sai de novo, entra pelo meio das sobrancelhas, sobe pela fronte, desce pela nuca. Sempre fluindo, em movimentos, rodando, circulando.

A grosso modo é assim que funciona. As sensações experimentadas são as mais diferentes: começa com um formigamento principalmente nas mãos, logo nos primeiros estágios. Depois a temperatura do corpo sofre variações. Ora, sen­te-se frio; outras vezes, muito calor, a ponto de suar e ficar todo enrubescido. Estes “sintomas” eram uma prova bastante palpável de que aquilo tudo não era uma mera alucinação. O Mestre não sugeria as sensações. Elas apenas aconteci­am de forma semelhante com todos.

É óbvio que o “Chikow” só começa a ser ensinado a partir de um certo nível dentro da caminhada no Kung Fu. O conceito oriental da coisa é que, em primei­ro lugar, temos que moldar o “li”, ou seja, a força física, o exterior. Apenas bem mais tarde é possível iniciar a moldagem do “chi”.

Não deixava de ser um “arremedo” da mesma doutrina que iria aprender no Satanismo: o desenvolvimento do “Chikow” e o pleno domínio do “chi” leva a atingir o ápice de nosso potencial. Desenvolve a habilidade até o patamar máxi­mo da capacidade humana. Logicamente o bom desempenho abrange uma série de “desbloqueios sociais”, por assim dizer. É preciso reformular conceitos tais como “medo”, “isto ou aquilo machuca”, “não é possível”, e assim por diante.

Da mesma forma que aprenderia na Irmandade a despir-me de velhas doutri­nas para introjetar outras, no Kung Fu este ensinamento corria paralelo e aprego­ava a mesma coisa. Eu conhecia, sim, conhecia muito bem o ditado chinês que Zórdico utilizara numa das suas primeiras aulas: “Se queres provar meu chá tens antes que esvaziar tua xícara”.

Não deixava de ser também um ensinamento que colocava o homem em posição introspectiva e centralizado nele mesmo: “Eu posso, eu faço”. De fato. O homem faz. Pois ele é energia e pode dominar a energia que existe nele. Pelo menos, assim eu aprendi. Naturalmente que no Kung Fu ninguém falou em Enti­dades de dimensões paralelas para aumentar ainda mais a minha capacidade. Isto eu tinha o privilégio de conhecer porque o Oculto me fora mais descortinado do que a eles, meus Mestres de Artes Marciais.

Observar que os conceitos orientais ensinados tinham a ver — ainda que de forma um pouco mais rudimentar — com o que aprendi na Irmandade, só me fizeram confirmar ainda mais aquilo como absoluta verdade. E me entregar de corpo e alma.

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