sábado, 11 de agosto de 2012


LIÇÃO 6 – DELEGANDO TAREFAS.
Texto: Neemias 3.
“Delegar é uma das formas de um líder unir o falar com o fazer. É um valioso método para capacitar pessoas a participar, desenvolver-se e alcançar seu potencial”. (C. Gene Wilkes)
Introdução:
   Neemias delegou tarefas a grupos específicos e o resultado foi surpreendente. Havia todo tipo de trabalhadores: sacerdotes, levitas, os que serviam no templo, ourives, mercadores, oficiais, cidadãos privados, mestres, servos, homens e mulheres. Foram cerca de 39 grupos diferentes de trabalhadores que exigiu de Neemias muita organização e serviço.  Alguns trabalhavam perto de suas casas ao passo que outros não. Os nobres não quiseram se juntar ao serviço, se negaram a seguir as orientações dos supervisores (3.4). Mesmo assim todos os demais assumiram suas responsabilidades e a obra avançou com entusiasmo e harmonia (4.6).
  
A ARTE DE DELEGAR

   Segundo [1]John White: “Nenhum líder pode liderar sem delegar responsabilidades para outras pessoas, e, talvez, não haja uma prova mais delicada de boa liderança do que a maneira como os líderes cuidam disso”. Se você lidera, siga o exemplo de Neemias e delegue. Não faça tudo sozinho. Líderes servem ao capacitar outros a liderar com eles.

DELEGAR = dar autoridade e responsabilidade as pessoas que trabalham ao seu lado, para que elas possam, então, desenvolver determinada atividade ou um projeto, ou parte deles, exatamente conforme você solicitou para que atinja aquele objetivo.
 
 

  
Delegar com eficiência é uma necessidade em todas as áreas de nossa vida. A ausência de uma delegação eficaz causará prejuízos que muitas vezes levará tempo para ser revertido. A continuidade da obra dependerá sempre de boas delegações. [2]P. K. D. Lee afirmou: “Ao delegar, devemos delegar também autoridade suficiente para que o subordinado tome as decisões necessárias para o serviço. Uma certa dose de confiança e liberdade devem ser dadas, caso contrário, a delegação se torna uma escravidão”.   

PRINCÍPIOS PARA UMA BOA DELEGAÇÃO DE TAREFAS.
1. Conheça bem a pessoa.
2. Defina o que você deseja delegar.
3. Invista tempo ensinando a pessoa quanto ao que ela deverá fazer.
4. Invista tempo para ampliar a comunhão com a pessoa.
5. Prepare-se para os possíveis erros.
6. Incentive regularmente.
7. Avalie constantemente.

POR QUE ALGUNS NÃO DELEGAM?
   Alguns pensamentos prevalecem na mente daqueles que relutam em delegar.
·        A atividade não será executada conforme o meu desejo.
·        Será mais rápido eu realizar sozinho do que treinar uma pessoa.
·        Se eu delegar as pessoas perderão o respeito por mim.
·        Não adiantará delegar, as pessoas não tem compromisso.
·        Ganho para fazer e não para delegar.
·        Não confio nas pessoas.
   Will Varner declarou: “O bom líder não tem medo de delegar trabalho. Se não delega, ou é porque sofre da necessidade de agarrar ao poder, ou porque não consegue confiar nos outros. Dessa forma, as tarefas necessárias não são realizadas, e as pessoas que as poderiam ter feito ficam entediadas e se sentem inúteis”.
 
VANTAGENS PARA QUEM DELEGA. 

   Segundo [3]Içami Tiba, “ninguém sente falta daquilo que não conhece”. Quando pensamos nas vantagens de uma delegação eficaz, lamentamos os ambientes onde as tarefas ficam restritas apenas a algumas pessoas. Se os líderes dessas organizações delegassem mais, experimentariam novos “ares” e todos sairiam ganhando. Desenvolver outras pessoas consome energia, tempo e planejamento cuidadoso. Mas sempre valerá a pena!
   São inúmeras as vantagens num ambiente onde lideres e liderados dominam a arte de delegar.
·        Cada membro da equipe poderá se dedicar com mais tempo as suas atividades principais. Haverá maior produtividade.
·        Haverá constantemente a revelação de novas pessoas com habilidades suprirão as necessidades do grupo.
·        Trabalharemos num ambiente de constante motivação.
·        Haverá a certeza de que a missão será cumprida independentemente de quem momentaneamente estará à frente.
·        Haverá mais tempo para que os líderes se preparem espiritualmente antes de executar as tarefas eclesiásticas.   

EXEMPLOS BÍBLICOS DE DELEGAÇÃO EFICAZ.
Jesus Cristo – O nosso salvador sempre será o nosso maior exemplo em tudo. Ele delegou aos seus discípulos autoridade (Luc. 9.1,2) e a missão de ir e pregar em todas as nações (Mt 28.19). Ele investiu tempo treinando (Lc 10), encorajando (Jo 14), admoestando (Jo 6), alertando (Jo 15) e intercedendo (Jo 17). Seu exemplo de vida se constituiu numa aula constante aos que caminharam com ele. Ele servia aos seus liderados (Jo 13).

Jetro (sogro de Moisés) – A lei de Jetro (Êx 18) tem ajudado muitos líderes a entender que sozinho não dá para caminhar de forma saudável. O trabalho solitário produz nos líderes a fadiga, nos liderados o desânimo e na organização menor produtividade. Aquele sábio homem orientou Moisés a delegar algumas tarefas para que ele pudesse tratar dos assuntos de maior importância. Era uma questão de sobrevivência para todos (V.23). Moisés foi humilde, reconheceu seus limites e fez conforme a orientação recebida (V.24). Escolheu homens capazes e delegou aos mesmos algumas tarefas.  Moisés seguiu liderando com excelência.

Igreja primitiva – Atos 6.1-7, narra mais um exemplo de delegação eficaz. Em meio ao crescimento da igreja os problemas começaram a surgir. Os apóstolos sobrecarregados não conseguiam dar conta de tantas tarefas. Algumas pessoas começaram a murmurar e com muita sabedoria os líderes optaram pela delegação eficaz. Priorizaram a oração e o ministério da palavra e escolheram homens espirituais para cuidar das outras necessidades. O resultado foi o retorno da harmonia e a continuidade do crescimento da igreja que prosperou agindo como corpo (V.7).

Paulo – O apóstolo Paulo viveu delegando responsabilidades. Procurava sempre caminhar com alguém ao seu lado. Solicitou a presença de Timóteo e Marcos, pois só tinha Lucas ao seu lado (II Tim 4.9,11).  Delegou a Tíquico a responsabilidade de informar as igrejas de Éfeso e Colossos os fatos ao seu respeito (Ef. 6.21; Col. 4-7). Foi beneficiado com a presença de Estéfanas, Fortunato e Acaico que foram a ele levando alívio num momento muito difícil de seu ministério (I Cor. 16.17). Ao jovem Timóteo, ele transferiu conhecimento e orientou para que ele fizesse o mesmo (II Tim 2.2).  Ele também recomendou varias pessoas que trabalharam ao seu lado na obra de Deus (Rom 16).

SOZINHO, NÃO!
   Pessoas e até mesmo igrejas solitárias adoecem. A Bíblia nos alerta em Provérbios 18.1: “Quem se isola busca interesses egoístas e se rebela contra a sensatez”. É triste ver pessoas que insistem em liderar a obra de Deus de forma solitária. Somos um corpo e carecemos uns dos outros (1Co 12.20). [4]David Kornfield é um líder que em seu ministério tem incentivado outros líderes a uma caminhada coletiva. Ele afirmou: “Quanto o coração de Deus dói ao ver seus pastores e líderes tão solitários”. Na obra de Deus não há espaço para “voo solo”.
 
CONCLUSÃO

   Neemias ao delegar correu riscos. Delegar sempre será sinônimo de riscos! Mas se sonhamos com maiores e melhores resultados no trabalho denominacional, da igreja local e em seus departamentos precisaremos pagar o preço delegando e abrindo espaço para que novas pessoas possam surgir e servir.  [5]Calvin Miller fez a seguinte observação: “Bons líderes nunca abrem mão de sua liderança. No entanto, eles compartilham as recompensas e as responsabilidades da liderança”.
   Quando o assunto é o ministério cristão, nós os batistas temos como princípio que: “A igreja e todos os seus membros estão no mundo, a fim de servir (...) Os que são chamados para o ministério (...) Devem exaltar suas responsabilidades, em vez de privilégios especiais. Suas funções distintas não visam a vanglória; antes, são meios de servir a Deus, à igreja e ao próximo”.
   Que o Senhor nos abençoe e nos faça entender que por traz da delegação eficaz estará as grandes descobertas que certamente nos impulsionará ao maior crescimento. Líderes ao delegar estarão fazendo um grande serviço em favor da continuidade da obra de Deus.

PARA DISCUSSÃO EM CLASSE?

1) Porque Jesus Cristo não andava sozinho?
2) O que mais assusta um líder na hora de delegar?
3) Qual a participação dos liderados na decepção dos líderes que optaram pela delegação eficaz e se decepcionaram?

MOMENTO DE ORAÇÃO
1) Ore para que surjam mais obreiros aptos para assumir os ministérios da igreja.
2) Ore pelos lideres que estão desanimado por alguma decepção no passado.

LEITURA DIÁRIA:
 Segunda – 1Coríntios 12.12-31
Terça – 1Coríntios 13.1-13
Quarta – Atos 6.1-7
Quinta – Lucas 9.1-6
Sexta – Êxodo 18
Sábado – Provérbios 18.1
Domingo – 1Coríntios 12.1-11


[1] WHITE, John. Encontrei um líder. Ed. Textus. Rio de Janeiro. 2002. 
[2] LEE, P.K.D. Liderando com Excelência. Socep. São Paulo. 2004.
[3] Palestra Realizada na cidade de Queimados. RJ. Abril. 2012.
[4] KORNFIELD, David. O líder que brilha. Ed. Vida. São Paulo. 2007.
[5] WILKES, C. Gene. A liderança de Jesus. Life Way. São Paulo. 2005. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012


Pena imediata

Relator do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa vai propor que os condenados no processo cumpram as sentenças logo após o término do julgamento pelo supremo

Izabelle Torres e Claudio Dantas Sequeira
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TENSÃO
O clima esquentou entre ministros do STF na primeira semana do julgamento do mensalão
Desde que o processo do mensalão caiu em suas mãos para ser relatado, o ministro Joaquim Barbosa passou a alimentar uma única certeza: os 38 réus do maior escândalo de corrupção da história recente do País só seriam julgados se o caso tivesse prioridade sobre os milhares de ações que tramitavam no Supremo Tribunal Federal. Para isso, foi necessário mudar a rotina processual, alterar ritos e driblar a burocracia jurídica tão bem explorada pelos advogados de defesa. Nesse caminho, Barbosa foi acusado de atropelar a lei e jogar para a plateia, ao se submeter à pressão da sociedade. Agora, o ministro prepara uma nova cartada polêmica. Vai propor que a sentença contra quem for condenado seja cumprida imediatamente. Isso significa que ao término do julgamento, que começou na quinta-feira 2, os réus poderiam ser surpreendidos com o cumprimento de mandados de prisão em suas residências, onde hoje assistem às sessões da corte confortavelmente pela tevê.

Para a ideia de Barbosa ter efeito, no entanto, será necessário fazer uma nova interpretação das leis em vigor, que hoje preveem o cumprimento de sentenças apenas após a publicação dos acórdãos. Como o resumo do julgamento só é publicado depois que todos os ministros revisam seus votos, a demora de um deles para fazer a análise pode retardar a aplicação das penas. Além disso, ainda há um leque de recursos que os advogados podem lançar mão para questionar a decisão da corte. É isso que o relator quer evitar, apesar de saber que não será fácil convencer os outros dez ministros. Prova dessa dificuldade foi a dura discussão travada por Barbosa com o revisor do processo do mensalão, o ministro Ricardo Lewandowski, na primeira sessão de julgamento. O motivo foi uma questão de ordem apresentada pelo advogado Márcio Thomaz Bastos para tentar mais uma vez desmembrar a ação penal, e enviar para a primeira instância quem não tivesse foro privilegiado.
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O problema é que a questão já tinha sido discutida pelo plenário em 2007 no julgamento que recebeu a denúncia do Ministério Público. Por isso, Barbosa avaliou que o longo voto de Lewandowski sobre o assunto foi apenas mais uma tentativa de protelar o julgamento. “Isso é deslealdade. Vossa excelência é revisor do processo há dois anos. Por que não levantou essa questão antes?”, questionou Barbosa. Ele acompanhou parte da sessão deitado numa maca, de short e camiseta, numa sala especial onde se submeteu a fisioterapia para a dor na coluna. Para Lewandowski, no entanto, a corte precisava analisar o caso mais uma vez. “O STF tinha de enfrentar a matéria para balizar futuras decisões em situações análogas”, argumentou. Nos bastidores, até o presidente do Supremo, ministro Carlos Ayres Britto, se irritou com a insistência do tema na pauta, pois um acordo informal entre os ministros previa que a questão de ordem seria tratada rapidamente para não atrasar o cronograma. 

Para garantir a celeridade, Britto também decidiu suspender na próxima semana as sessões das turmas em que são julgados os pedidos de habeas corpus, e pediu que o Tribunal Superior Eleitoral adiasse o início da sessão da terça-feira 7, para evitar a debandada dos ministros. Essa disposição do presidente do Supremo é o que anima Joaquim Barbosa a propor procedimentos inéditos. Foi assim, por exemplo, com as cartas de ordem emitidas para a Justiça de primeira instância. Fugindo do ritual tradicional, o relator passou a determinar por fax às Varas a hora e o local em que os juízes deveriam ouvir as testemunhas. Magistrados de todo o País se irritaram com a conduta que, segundo muitos deles, interferia na autonomia do Judiciário nos Estados, prejudicando a rotina dessas cortes. Em alguns casos, a imposição de Barbosa provocou crise. Na 10ª Vara Federal de Brasília, a mais importante da capital, a juíza Maria de Fátima Pessoa se negou a cumprir a determinação do relator do mensalão. Barbosa, então, ligou pessoalmente para ela e ameaçou acionar a Corregedoria da Justiça Federal. Depois do enfrentamento, a magistrada, indignada, decidiu se aposentar.
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ABATIMENTO 
Considerado “o chefe da quadrilha” pelo Ministério Público, José Dirceu 
corre o risco de ser preso logo após o julgamento no STF
Mesmo ante as adversidades, o relator se manteve firme na disposição de dar celeridade ao processo e evitar a prescrição dos crimes. Muitas oitivas de testemunhas foram marcadas por Barbosa em horários próximos, mas em cidades diferentes. Isso evitou que advogados dos réus conseguissem se deslocar a tempo de ouvir os depoimentos referentes a outros acusados. O relator também ignorou os inúmeros pedidos de diligência feitos pelos advogados. A defesa da cúpula do Banco Rural, por exemplo, teve negado pedido de quebra do sigilo das movimentações feitas pela SMP&B no Banco do Brasil. A ideia era comparar os procedimentos de controle e mostrar que o Rural cumpriu as determinações do Banco Central e seria até mais rígido na concessão de empréstimos. Como efeito colateral, a devassa no BB poderia reforçar as provas de que o valerioduto utilizou recursos públicos. Outra diligência negada por Barbosa foi a abertura das contas das unidades do Rural no Exterior, responsáveis pelo depósito de cerca de R$ 10 milhões na conta bancária do publicitário Duda Mendonça. 

Barbosa acredita que os pedidos dos advogados eram simples ações protelatórias para atrapalhar o enredo que traçou para garantir o julgamento e evitar que a credibilidade do Supremo fosse posta à prova.  
 
Fotos: Adriano Machado e MARCOS DE PAULA/AGêNCIA ESTADO/AE


Karina a testemunha esquecidas

A secretária que pela primeira vez revelou os nomes e a atuação dos principais envolvidos no Mensalão vive reclusa no interior paulista, não crê na condenação dos acusados, mas afirma que denunciaria novamente seu ex-chefe Marcos Valério

Alan Rodrigues
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LONGE DOS HOLOFOTES
A secretária que apontou os caminhos do mensalão vive hoje numa chácara,
estuda biologia por conta própria e cuida da casa e do novo marido
Em junho de 2005, a então secretária Fernanda Karina Somaggio revelou pela primeira vez os nomes e o papel de cada um dos principais envolvidos no esquema do mensalão. Ela trabalhava nas agências de Marcos Valério e em entrevista concedida à revista ISTOÉ Dinheiro relatou como José Dirceu, Delúbio Soares, Sílvio Pereira e José Genoino, dentre outros, se relacionavam com o publicitário. Afirmou ter visto malas de dinheiro saindo do escritório da SMP&B, em Belo Horizonte, para os vários destinos indicados pelos líderes petistas. Na Polícia Federal e na CPI dos Correios, Karina reafirmou o que dissera à revista e seus depoimentos foram fundamentais para a descoberta do modus operandi do valerioduto. Na tarde da quinta-feira 2, enquanto milhões de brasileiros assistiam pela tevê ao início do julgamento do mensalão, no interior de São Paulo, Karina acompanhava os debates no STF sem muito entusiasmo. “Isso não vai dar em nada”, disse, incrédula.
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JUNHO DE 2005
Karina diz à ISTOÉDinheiro que malas de dinheiro transitam pela agência de Valério
e cita pela primeira vez Silvio Pereira, José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares
Passados sete anos do escândalo, a “secretária do mensalão”, como ficou conhecida, recusa o título de “garota nacional” que lhe atribuíram por ter tido a coragem de denunciar o próprio chefe e por ter sido convidada a posar nua para uma revistamasculina. Aos 39 anos, mais introspectiva, econômica nas palavras, voz baixa e delicada, ela evita a imprensa, diz-se “totalmente decepcionada com a política”. “Mas qualquer que seja o resultado do julgamento, a cultura da corrupção no Brasil não mudará. Não adianta, a população é ignorante politicamente”, afirma ela. “Aconteceu tudo aquilo e boa parte dos políticos envolvidos com o esquema continua no poder”, lamenta.Karina, no entanto, não se arrepende das denúncias que fez. Ela admite que sua atitude lhe trouxe muito prejuízo pessoal. “Estou desempregada até hoje”, conta. A vida da ex-secretária, de lá para cá, teve outros momentos de turbulências. Ela teve o pai assassinado dentro de casa durante um assalto, foi ameaçada de morte, separou-se do marido e respondeu a diversos processos movidos por Marcos Valério, que a acusou de extorsão. Ganhou todos. Em 2006, Karina foi candidata à deputada federal em São Paulo pelo PMDB. Conquistou 2.307 votos, mas não se elegeu. A desilusão com a política e um novo casamento a fez recolher. Hoje, vive com discrição em uma chácara no interior de São Paulo. Estuda biologia por conta própria e virou dona de casa. “Apesar das dificuldades, vivo feliz. Aqui ninguém me conhece. Estou em paz, cuidando da família”, diz.
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NA MIRA
Delúbio Soares foi um dos alvos da então secretária
Karina trabalhou na SMP&B de maio de 2003 a janeiro de 2004. Na entrevista à ISTOÉDinheiro, em 2005, ela disse que o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, ajudava a transferir dinheiro da empresa de Valério para políticos beneficiários do mensalão. Segundo Karina, Valério tinha um departamento financeiro para cuidar especialmente disso. Em depoimento à CPI dos Correios, ela afirmou que Valério fazia saques vultosos antes de viagens, e que esses saques chegavam a R$ 1 milhão. Karina também mostrou como os integrantes do esquema faziam saques milionários na boca do caixa do Banco Rural. Antes do depoimento, a ex-secretária entregou aos integrantes da CPI cópia da agenda em que fazia anotações desse período. A agenda apontava contatos do publicitário com diversos políticos. Apesar dos momentos de tensão que viveu logo após a eclosão do escândalo, e dos sobressaltos por que passou desde então, Karina garante que denunciaria tudo novamente. “Fiz tudo por patriotismo”, diz ela.
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O valerioduto ainda opera

Investigações do ministério público indica que empresas ligadas ao publicitário Marcos Valério continuam a receber recursos públicos por meio de contratos feitos com pelo menos dois ministério e estatais

Por Claudio Dantas Sequeira e Izabelle Torres
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O publicitário Marcos Valério é considerado um dos maiores arquivos vivos da história recente do País. Acusado de ser o operador do esquema de corrupção que escoou milhões em recursos públicos para o caixa de partidos e políticos, Marcos Valério certamente é, entre os 38 réus do processo do mensalão, o que teria mais a revelar. No entanto, nos últimos sete anos, apesar de ter sido preso, desmoralizado publicamente e vivido às voltas com processos de cobrança na Justiça de uma dívida de pelo menos R$ 83 milhões, Valério manteve-se em silêncio. Mesmo sob o risco de ser condenado no STF a 43 anos de prisão, o publicitário mineiro permanece calado. Para o Ministério Público, o mutismo de Valério significa apenas um trunfo esperto, uma espécie de moeda de troca contra os mesmos políticos que ajudou lá atrás. Esse jogo de barganha estaria servindo ao propósito de manter o Valerioduto em plena atividade. Novas investigações, que correm em sigilo, e o cruzamento de contratos públicos feitos por ISTOÉ indicam que Marcos Valério segue faturando alto, operando de forma mais discreta com a ajuda de novos intermediários e empresas.
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Uma das principais conexões do Valerioduto, segundo o MP, é a empresa T&M Consultoria, que pertence ao advogado Rogério Tolentino, velho amigo, ex-sócio, um dos réus do mensalão e parceiro de Marcos Valério nos esquemas de corrupção. Documentos em poder do Ministério Público de Minas Gerais indicam que, apesar de não serem mais sócios formais, Valério e Tolentino dividem os lucros das consultorias e serviços prestados pela T&M a empresários interessados em vencer licitações em órgãos públicos. Uma das clientes da T&M é a ID2 Tecnologia. Com sede em Brasília, a pequena empresa, que tinha atuação inexpressiva na Esplanada, deu um salto invejável no seufaturamento. Após a intervenção da dupla Tolentino-Valério, a ID2 fechou vários contratos, um de R$ 15 milhões com o Ministério do Turismo e outro de R$ 14 milhões com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
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Os dois negócios da ID2, porém, foram reprovados pelos órgãos de controle. A Controladoria-Geral da União (CGU) encontrou superfaturamento de R$ 11 milhões no contrato do Ministério do Turismo. No caso da Funasa, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), assinada pelo ministro Aroldo Cedraz, o contrato não foi cumprido de forma integral, faltando comprovações sobre o destino de pelo menos 24% dos recursos pagos. A ID2 nega qualquer relação com Tolentino e Valério. Procurado por ISTOÉ, o diretor de operações da empresa, Jessé Rovira, chegou a dizer que não tinha prestado serviço à Funasa. Confrontado com as ordens de pagamento do Ministério da Saúde, voltou atrás e admitiu a existência do contrato. “Foi entregue um sistema logístico para compra de medicamentos, que está implantado e em funcionamento”, disse Rovira, alegando desconhecer o parecer do TCU. A ID2 também foi contratada pelo Ministério dos Transportes para prestar serviços à Valec, estatal que foi alvo de ação recente da Polícia Federal. Na operação, foi preso o presidente da Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, ligado ao deputado Valdemar Costa Neto, cacique do PR e um dos réus do mensalão.
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O advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, negou para a ISTOÉ a nova sociedade de seu cliente com Tolentino. Mas admitiu que o publicitário tem ampliado seu leque de atuação. “Ele possui um escritório de consultoria empresarial e de negócios”, disse o advogado. Este escritório vem a ser o mesmo usado por Tolentino no sexto andar do número 925 da rua Sergipe, no bairro Savassi, em Belo Horizonte. “Eles dividem o espaço, mas atuam de forma independente”, diz Leonardo. O advogado não esclarece que tipo de consultorias são essas.
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Outra possível extensão do Valerioduto na mira do Ministério Público é a agência Fields Comunicação, criada pelo fotógrafo publicitário Sidney Campos. Pouco conhecido no mercado até recentemente, Campos é tratado em Brasília como “pupilo” de Valério. O início da parceria entre os dois foi o que chamou a atenção do MP. Em 2003, a SMP&B de Valério ganhou o contrato de publicidade da Câmara Legislativa do Distrito Federal na gestão do então deputado Benício Tavares (PMDB). O contrato 013/03 da SMP&B era compartilhado com a agência M. Cohen, que passou às mãos de Sidney Campos na assinatura do primeiro aditivo contratual. Campos depois mudou o nome da empresa para DCR Comunicação e logo virou o controlador do contrato. Em outubro de 2005, temendo ser envolvido com o escândalo do mensalão, o deputado Tavares (que foi denunciado em junho por corrupção passiva e lavagem de dinheiro), aconselhou Valério a retirar a SMP&B da conta da Câmara Legislativa. Planilhas de despesas de propaganda obtidas por ISTOÉ revelam entretanto que a SMP&B, mesmo não fazendo parte formalmente do contrato, continuou recebendo os pagamentos. Um relatório do terceiro trimestre de 2006 mostra que a Câmara emitiu um total de nove notas fiscais em nome da DCR, mas com o CNPJ da SMP&B. A maquiagem nos documentos oficiais permitiu que a agência de Marcos Valério embolsasse, só naquele período, mais de R$ 5 milhões.
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A possível fraude, no entanto, rendeu muito mais. O mesmo contrato de publicidade da Câmara Legislativa, assinado em 2003, recebeu cinco aditivos seguidos, estendendo sua duração até 2008. Seu valor saltou dos R$ 9 milhões iniciais para quase R$ 52 milhões. Auditores do Tribunal de Contas do DF, com base em questionamento da procuradora Claudia Fernanda, além de considerarem ilegal a prorrogação do contrato após a saída da SMP&B, também identificaram um prejuízo aos cofres públicos de mais de R$ 4 milhões – e isso numa amostragem de 40% das notas fiscais. Com o fim do contrato com a Câmara, a DCR Comunicação passou a operar com outro CNPJ, em nome de DCR Marketing e Propaganda. Campos rebatizou a empresa com o nome de Fields Comunicação. Naquele mesmo ano de 2008, conseguiu a conta de publicidade do Ministério do Esporte, na gestão de Orlando Silva. O que também intrigou os procuradores é que, antes de Campos, quem cuidava da publicidade do Esporte era justamente Marcos Valério, por meio da SMP&B. Alvo da CPI que investigou o mensalão em 2005, esse contrato da SMP&B com o Ministério do Esporte sofreu auditorias. A devassa encontrou diversas irregularidades, entre elas o direcionamento de patrocínios para entidades de Minas Gerais, subcontratações, pagamentos indevidos de honorários e fraudes na comprovação de despesas.
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Apesar de o MP ver indícios de que Valério estaria por trás de Sidney Campos, o dono da Fields Comunicação nega conhecer o pivô do mensalão. “Nunca o vi, nem me reuni com ele”, diz. Procurado pela reportagem da ISTOÉ, Sidney também negou inicialmente que fosse sócio da DCR Comunicação quando a empresa atuava na Câmara Legislativa. Confrontado, porém, com os documentos internos da Câmara, ele acabou admitindo sua participação na agência e no polêmico contrato. “Mas nunca repassei dinheiro para a SMP&B”, afirma. O publicitário atribui seu sucesso ao talento para atrair celebridades para peças publicitárias de órgãos públicos, sem pagamento de cachê. Foi assim, segundo ele, no convite a Pelé e Ronaldo Fenômeno para estrelarem a campanha da Copa de 2014. O contrato de divulgação de grandes eventos esportivos, avaliado em R$ 44 milhões, também foi entregue à Fields.
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O Ministério Público investiga os passos de Marcos Valério em outras fontes também. Segundo um procurador que pede anonimato, o publicitário tem se movimentado para operar ainda nos setores de petróleo e construção civil, de olho principalmente na reforma de aeroportos, como o de Confins. Prospecta igualmente oportunidades de negócios com a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. Nessa linha, o MP amplia sua investigação para a atuação das agências MG5 e Solimões Publicidade, que têm como donos Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, ex-sócio de Valério. Chama a atenção dos procuradores o fato de que Valério e seus ex-parceiros, mesmo com seus bens bloqueados judicialmente e sem renda aparente, conseguem manter um alto padrão de vida. Valério, por exemplo, adquiriu nos últimos três anos duas casas de alto padrão localizadas em Minas Gerais. Além de registrar os imóveis em nome da filha, ele declarou valores bem abaixo dos de mercado. Uma das casas, comprada oficialmente por R$ 550 mil, valia pelo menos o dobro no mercado à época da transação, em 2009. O advogado de Valério alega que os imóveis são da filha, de apenas 21 anos, e estão declarados à Receita Federal.
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 A situação atual de Valério é bem diferente daquela imediatamente posterior ao escândalo do mensalão e ao bloqueio de bens. Na ocasião, alegando estar sem dinheiro, o publicitário pediu à mulher, Renilda Santiago, que procurasse o ex-tesoureiro Delúbio Soares em seu apartamento em São Paulo, onde ficou recluso durante meses. A proposta de Valério era de que o PT quitasse seus cartões de crédito e lhe pagasse R$ 100 mil por mês, caso contrário ele contaria tudo sobre o mensalão. A situação de penúria de Valério parece que durou pouco.  
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Fotos: Cláudio Cunha/1º Plano; Daniel Ferreira/CB/D.A Press; Alan Marques/Folhapress; Adriano Machado

Lágrimas e nada mais

A exemplo do que ocorreu em Pequim-2008, ginastas brasileiras têm atuação fraca, são eliminadas e choram: o problema pode estar na cabeça delas

por Edson Franco, enviado especial a Londres
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TENSÃO
Ethiene Franco reza durante a performance de
sua companheira de equipe, Harumy Freitas
As ginastas nacionais são troncudas e pequenas, como as estrangeiras que ficaram com as medalhas em Londres. Têm agilidade, flexibilidade, força e criatividade. Saltam, giram, voam e aterrissam com a competência das campeãs. Mas isso tudo não tem resolvido. Em Campeonatos Mundiais e Pan-Americanos, as meninas já conquistaram pódios que prenunciavam a chegada de uma era vencedora da ginástica artística do País. No entanto, a cada quatro anos a ilusão se desfaz, pois nos palcos olímpicos elas não conseguem mostrar do que são capazes. Invariavelmente, falham justamente na hora em que o mundo todo está olhando, indício de que o corpo está funcionando bem, exceto por um órgão: o cérebro.
Os exemplos de desequilíbrio se acumulam. No sábado 28, Daniele Hypólito viu seu irmão, Diego, sofrer uma queda durante a apresentação no solo. No dia seguinte, na mesma modalidade, ela também caiu. “Eu vim meio tensa para a competição. Procurei me focar, mas a queda dele mexeu comigo”, disse a atleta logo após a desclassificação. A equipe nacional terminou na 12ª e última colocação, ficando fora da zona de oito classificados. Além disso, nenhuma atleta chegou a uma final individual, o que não acontecia desde a Olimpíada de Atlanta, em 1996 (leia quadro).
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Outro problema de cunho psicológico foi o nervosismo da ginasta Harumy Freitas. Foi sua estreia nos Jogos. Ela substituiu Adrian Gomes, cortada por lesão quando a equipe brasileira já fazia aclimatação em solo inglês. Ela admitiu que a tensão por ter entrado no time em cima da hora prejudicou o seu desempenho na trave. E chorou. Mesmo a mais madura atleta da equipe não conseguiu se controlar após a desclassificação naquela que deve ser a sua última Olimpíada. “Muita gente queria que eu não estivesse aqui. Vim, competi e não tive nenhuma queda”, desabafou em tom raivoso Daiane dos Santos, que, aos 29 anos, deve se aposentar no fim do ano.
Segundo os responsáveis pelo acompanhamento das atletas, o resultado em Londres não decorre da falta de cuidado com questões emocionais. “Temos dois psicólogos monitorando o time de ginástica aqui”, diz Berenice Arruda, chefe da equipe de ginástica artística. Ela acrescenta que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) leva em consideração os aspectos psicológicos na preparação. “Se a ginasta está sendo acompanhada por um profissional no seu clube, damos sequência ao trabalho quando a atleta é convocada.” Com a experiência de quem participou da Olimpíada de Atlanta, onde ajudou o Brasil a ganhar um bronze, a ex-jogadora de vôlei Ana Moser defende que a ajuda deve ir além daquilo que os psicólogos podem fazer. Na opinião dela, é preciso que as atletas passem a maior parte do tempo disputando torneios difíceis, com concorrentes do mais alto nível. Diferentemente do judô, esse tipo de competição não é muito comum para as ginastas nacionais.
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Além da pressão da competição, as atletas sofreram com aspectos vindos de fora dos ginásios. Para o ciclo olímpico que se encerra em Londres, a confederação trocou o centro de treinamento montado em Curitiba por outro no Rio de Janeiro. Com a saída do ucraniano Oleg Ostapenko, que ficou à frente da seleção de 2002 a 2008, Georgette Vidor assumiu a coordenadoria técnica da seleção. Para ela, o resultado decorre da falta de uma política de renovação da equipe, e o Brasil pagou o preço por ter concentrado demais o trabalho da ginástica em Curitiba. Diante desse quadro, Georgette afirma não estar decepcionada com o baixo rendimento das atletas brasileiras nos Jogos. “Achava que o grupo poderia ficar com a nona colocação e esperava que a Jade fosse para a final do salto”, diz, referindo-se a Jade Barbosa, cortada por divergências em relação a patrocínio e uniforme.
A saída de Jade se deu faltando um mês para o início dos Jogos, fato criticado pela psicóloga do esporte Katia Rubio, da Universidade de São Paulo (USP). “Eles (dirigentes) não deveriam deixar essas questões para serem aparadas próximo do início da competição.” Na opinião dela, o desempenho desastroso é reflexo da falta de planejamento e não deve ser debitado na conta das atletas. Independentemente de quem seja a culpa, não é o momento de promover uma caça às bruxas. A hora é de planejar para que no Rio, em 2016, as meninas estejam com os músculos e o cérebro no lugar.
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Colaborou Rodrigo Cardos

A poderosa vitamina D

Novos estudos revelam que ela Combate doenças como Diabetes e hipertensão e até ajuda a emagrecer. o problema é que está em quantidade insuficiente em metade da população mundial

Mônica Tarantino e Monique Oliveira
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Os livros didáticos disponíveis atualmente ensinam que a vitamina D é essencial na formação dos ossos e dentes. Mas esses textos precisarão ser reformulados para acrescentar uma longa lista de benefícios descobertos recentemente, que revelam que a substância faz muito mais pelo organismo do que se imaginava. Ela ajuda a emagrecer, fortalece o sistema de defesa do organismo, auxilia na prevenção e tratamento de doenças como a diabetes e a hipertensão e está associada a uma vida mais longa – para falar somente de alguns de seus efeitos positivos. Por essa razão, a vitamina tornou-se a mais nova queridinha dos médicos em todo o planeta. Muitos já estão solicitando a seus pacientes que meçam sua concentração no corpo e façam sua reposição se assim for necessário.
Um dos achados mais reveladores – e que ajuda a sustentar a nova atitude dos médicos – surgiu de um trabalho de cientistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Eles sequenciaram o código genético humano para averiguar quais regiões do DNA apresentavam receptores para a vitamina. Receptores são uma espécie de fechadura química só aberta por chaves compatíveis – nesse caso, a vitamina D –, para liberar o acesso e a ação do composto à estrutura à qual pertencem.
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O time de Oxford descobriu nada menos do que 2.776 pontos de ligação com receptores de vitamina D ao longo do genoma. “A pesquisa mostra de forma dramática a ampla influência que ela exerce sobre nossa saúde”, concluiu Andreas Heger, um dos coordenadores do trabalho, publicado pela revista “Genome Research”. Isso quer dizer que sua presença faz uma bela diferença na forma como trabalham os genes. “Todas as células mapeadas possuem receptores diretos da vitamina”, explica o dermatologista Danilo Finamor, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
A outra comprovação inquestionável do poder abrangente da vitamina no corpo humano veio de uma ampla revisão de trabalhos científicos realizada pela Sociedade Americana de Endocrinologia cujo resultado foi divulgado há dois meses. “Ela age no coração, no cérebro e nos mecanismos de proliferação e inibição de células, entre outros sistemas”, disse à ISTOÉ o bioquímico Anthony Norman, professor da Universidade da Califórnia (EUA), um dos maiores estudiosos do tema e integrante do comitê responsável pela compilação de dados a respeito do assunto. “A vitamina D também atua nos músculos, que são as únicas estruturas capazes de dar mais estabilidade aos ossos”, diz o ortopedista André Pedrinelli, do Hospital Santa Catarina, de São Paulo.
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Muito do que se sabe a respeito dos novos benefícios da substância é referente à diabetes tipo 2, que hoje exibe proporções epidêmicas no mundo. Trabalhos demonstram que níveis baixos da substância estão relacionados a uma disfunção ligada à origem da doença chamada resistência à insulina. A insulina é o hormônio que permite a entrada, nas células, da glicose circulante no sangue. No caso da diabetes tipo 2, ela não consegue cumprir sua função corretamente e o resultado é o acúmulo de glicose na circulação sanguínea, o que caracteriza a enfermidade.
Uma das pesquisas a evidenciar a relação vitamina D-diabetes tipo 2 foi feita pelo cientista Micah Olson, da Universidade do Texas (EUA). Ele mediu os níveis da vitamina, de glicose e de insulina no sangue de 411 crianças obesas e 87 não obesas. “As obesas com níveis mais baixos do composto tinham maior grau de resistência à insulina”, disse. Em adultos, dá-se o mesmo. No mês passado, estudo publicado na revista “Diabetes Care” mostrou que pessoas com pequena quantidade da substância apresentavam 32 vezes mais resistência à insulina do que a média dos voluntários avaliados.
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A informação do papel da vitamina no desenvolvimento da enfermidade mudou a conduta médica. A endocrinologista Maria Fernanda Barca, de São Paulo, membro da Sociedade Americana de Endocrinologia, por exemplo, é uma das que já indicam sua reposição, se for preciso. “Quando comecei a pedir dosagens, vi que cerca de 70% dos pacientes estavam com carência ou insuficiência da substância”, diz.
Também já existe um consenso científico de que, quanto mais obesa a pessoa, menos vitamina D ela apresenta. Não está claro, porém, se a obesidade por si só diminui a presença da vitamina no organismo ou se é o contrário. Mas, mesmo sem conhecer os mecanismos pelos quais a baixa concentração da substância contribui para o acúmulo de gordura, os médicos estão incluindo sua reposição na lista de estratégias mais recentes na briga contra a balança.
Só por ajudar no controle da diabetes e da obesidade – dois fatores de risco para doenças cardíacas –, a vitamina já poderia ser chamada de aliada do coração. No entanto, descobriu-se que ela combate também a hipertensão, bloqueando a ação de uma enzima envolvida na elevação da pressão arterial. “Por isso, pode ser dada como coadjuvante no tratamento da doença, se for comprovado seu déficit”, afirma Aluízio Carvalho, professor de nefrologia da Unifesp.
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O sistema imunológico é outro beneficiado. “Ela atua como um modulador do sistema de defesa do corpo”, explica a endocrinologista Cláudia Cozer, de São Paulo, diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica. A quantidade certa da vitamina permite que o corpo se defenda melhor, por exemplo, das gripes e resfriados de repetição. “Uma das células beneficiadas por ela são os linfócitos T, que agem sobre as células estranhas e infectadas por vírus”, diz o bioquímico Anthony Norman, da Universidade da Califórnia. Alguns pesquisadores sugerem que a substância pode reduzir a mortalidade por pneumonia entre pacientes internados e ter ação específica sobre o bacilo de Koch, o causador da tuberculose.
Até as complexas doenças autoimunes se revelam sensíveis à vitamina. Essas enfermidades são desencadeadas por uma disfunção do sistema de defesa que faz com que ele comece a atacar o próprio organismo. Se ataca proteínas localizadas nas articulações, deflagra a artrite reumatoide. Se forem células da pele, há vitiligo ou psoríase. Nesse campo, a substância também tem sido vista como uma esperança, inclusive para pacientes de esclerose múltipla, enfermidade autoimune que acomete células nervosas e leva à perda gradual dos movimentos. Já se sabe que o seu avanço é mais rápido em quem convive com níveis baixos da substância, conforme documentou um estudo da Universidade de Maas­tricht, na Holanda, a partir do acompanhamento de 267 pessoas com a doença.
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RECEITA
A médica Cláudia Cozer é uma das que indicam
a reposição da vitamina se for preciso
Na Unifesp, mais de 800 portadores de esclerose múltipla estão recebendo doses do composto, sob responsabilidade do neurologista Cícero Galli Coimbra, um entusiasta do tratamento. “São doentes com déficit comprovado e resistência genética à vitamina”, explica o médico. “É uma terapia eficiente, que precisa ser divulgada”, diz Coimbra, criador do Instituto de Autoimunidade, voltado a esse tipo de tratamento.
Na mesma linha de intervenção segue a Universidade de Toronto, no Canadá. Pacientes com a enfermidade lá tratados apresentaram uma notável diminuição da perda de células nervosas. No entanto, o tratamento é considerado complementar e tem opositores. A terapia convencional da doença é feita com o medicamento interferon-beta, que modula o sistema imunológico.
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TRATAMENTO
O neurologista Cícero Galli coordena pesquisa sobre
o efeito da vitamina no controle da esclerose múltipla
A pesquisa das ligações do composto com o câncer é um campo dos mais desafiadores para os pesquisadores. Em junho, cientistas da Universidade da Carolina do Norte (EUA) anunciaram que pacientes com tumor de pâncreas com maior quantidade de receptores para a substância têm sobrevida maior do que os outros. Antes, eles já tinham sido encontrados pelos cientistas britânicos em áreas associadas à leucemia linfática crônica e câncer colorretal. Há também suspeita de que a vitamina regule genes ligados aos tumores de próstata e pesquisas mostrando doses deficientes em mulheres com câncer de mama. “Um estudo mostrou que o aumento de sua quantidade poderia impedir aproximadamente 58 mil novos casos de tumor de mama e 49 mil novos casos de câncer colorretal a cada ano”, disse à ISTOÉ a médica Archana Roy, da Clínica Mayo (EUA). “Mas outros trabalhos são necessários para esclarecer e comprovar essas relações”, pondera a endocrinologista Ana Hoff, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Embora seja chamada de vitamina, a substância é, na verdade, um pró-hormônio. Ou seja, dá origem a vários hormônios importantes para o corpo. É sintetizada a partir de uma fração do colesterol, transformada sob a ação dos raios ultravioleta B do sol. Ela também está presente em alimentos – principalmente peixes de água fria –, mas sua concentração neles é pequena e seria suficiente para fornecer apenas 20% das necessidades diárias.
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FALTA
No consultório da endocrinologista Maria Fernanda, 70% dos
pacientes tinham quantidade insuficiente da substância
É por essa razão que hoje os especialistas encontram-se preocupados. Ao mesmo tempo que fica cada vez mais clara sua importância para a saúde, o mundo enfrenta uma espécie de epidemia de déficit da substância. Segundo a Organização Mundial da Saúde, metade da população mundial tem menos vitamina D do que precisa. De acordo com a OMS, há insuficiência quando o exame de sangue indica uma concentração menor do que 30 ng/ml (nanogramas por mililitro de sangue). Valores abaixo de 10 ng/ml são classificados como insuficiência grave. Dosagens iguais ou superiores a 30 ng/ml estão na faixa da normalidade, cujo limite máximo é 100 ng/ml.
A enorme deficiência se deve principalmente à pouca exposição ao sol que as pessoas têm atualmente. Para que seja sintetizada na quantidade adequada, recomenda-se a exposição de partes do corpo (braços e pernas, por exemplo) entre 20 e 30 minutos ao sol diariamente, sem filtro solar. Ou, como orienta outra corrente, expor 15% da superfície da pele (equivale a dois braços) pelo menos três vezes por semana, com filtro solar. E, nesse caso, fazer complementação com suplementos receitados a partir da necessidade individual de cada um.
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Essas são as orientações de forma geral. Isso porque as descobertas recentes estão produzindo mudanças nas recomendações das concentrações ideais de acordo com grupos específicos. No ano passado, por exemplo, os americanos elevaram esses valores para a população da terceira idade. Seguindo a tendência americana, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) decidiu aumentar as suas indicações para crianças e adolescentes. “É importante lembrar que, para crianças maiores, a suplementação só será necessária caso a criança não atinja a quantidade de vitamina D recomendada apenas com alimentação e luz solar”, diz Virginia Weffort, do Departamento de Nutrologia da SBP.
A cautela é realmente imprescindível. “Não se deve tomar vitamina D indiscriminadamente”, adverte o endocrinologista Sharon Admoni, do Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares do Hospital Sírio-Libanês. Em dose excessiva, ela causa enjoo, desidratação, prisão de ventre e pode aumentar a quantidade de cálcio, elevando a pressão arterial. Pode também gerar pedras nos rins. “O ideal é que quem faz suplementação seja bem monitorado pelo seu médico e faça exames periódicos de sangue”, diz a médica Ana Hoff. Dessa maneira, só haverá benefícios.
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Fotos: Montagem sobre foto shutterstock,Rogério Cassimiro/Ag. Istoé, JULIO VILELA, Pedro Dias e Gabriel Chiarastelli/Ag. Istoé; Shutterstock, Pedro Dias e Rafael Hupsel/Ag. Istoé; Shut